Crônica. É Verdade.

É Verdade


Para se começar escrever um livro, necessitas de inspiração. Onde estas, oh, inspiração....
Onde estás que não me clareas a memória.... mas e claro, memórias.... vou escrever memórias. Memórias minhas, memórias de uma parte da minha vida que já passou e que marcou. Tantas coisas boas e ruins marcaram a minha vida....
A mais antiga memória que tenho e de ver minha avó no seu leito de morte, só tinha 5 anos. Ela estava linda... toda de azul, minha cor favorita. Lembro-me de que minha mãe chorava muito e eu cutucava minha avó para que ela acordasse, para que abrisse os olhos para que minha mãe parasse de chorar. Lembro-me da procissão do enterro, fiquei no bar da minha vó Irota com algumas pessoas e minha irmã... O bar de minha vó Irota... adorava os sorvetes que podia tomar a qualquer hora lá.
Uma memória puxa outra, não e mesmo meu caro leitor? O bar de minha vó Irota era grande e hoje , quando penso nele, me parece tão antigo, escuro, mesmo para a época. Deve ser impressão. Como eu adorava minha vó Irota. Lembro-me de viajar para Catalão de avião. Até então meu pai não havia contado para minha mãe que sua mãe havia morrido, foi só quando chegamos lá que minha mãe ficou sabendo. Chorou tanto que fiquei com muita pena dela, mas não teve jeito, cutuquei minha vó no caixão varias vezes, mas ela não acordou.
Uma memória boa.... meus primos. Éramos 6 ao todo que brincávamos no quintal da minha vó. Eu era a única menina da turma. Casei-me na época com um deles, mas não fomos felizes para sempre...
As memórias estão vindo aos poucos... mas minha vida é muito comum para se tornar um livro de memórias. Vamos passar para outro assunto que, com certeza, será mais interessante, não que minha vida não seja interessante, mas só interessa mesmo a mim.



Voltando as minhas memórias, sim, porque acabo de me lembrar de outro fato de minha vida, outra memória, memória de um sonho que fiz acontecer.
Certa vez, naquele tempo em que eu ainda acreditava no velho barbudo de vermelho, sim meu caro leitor, ele mesmo, o papai Noel .
Eu devia ter meus 7 anos e morávamos em Syracuse, no nordeste dos Estados Unidos. O inverno de lá era muito rigoroso e ainda o é. Meu caro leitor deve estar imaginando o que eu fazia nos Estados Unidos aos 7 anos de idade... pois sim, lhes direi assim que contar-lhes o meu sonho. Era época de Natal e eu cismei que veria o “Santa” no seu trenó. Foi assim: Ouvia estórias do velhinho barbudo de vermelho e acreditava piamente que ele existia. Com toda a movimentação que sempre existiu em torno do Natal, podes imaginar o grau de excitação em que me encontrava. Bom, como sonhar é muito bom, naquela noite, antes de me deitar fiquei a observar a neve que caia lá fora e a aguardar.. . Minha irmã que dormia numa cama bem ao lado da minha estava envolta num cobertor bem quentinho, e, ao fitá-la, mais que depressa me enfiei debaixo de minhas cobertas, me acomodei e fiquei a pensar na figura do velhinho e seu trenó, o grande saco cheio de presentes... De repente, comecei a ouvir o barulho de sininhos, como aqueles que ficam pendurados no pescoço das renas do papai Noel. Não é que quando olhei pela janela, lá estavam as renas, o trenó, 2 elfos e, ele, o papai Noel, se preparando para levantar vôo em seu trenó. Olhei para minha irmã que já devia estar no décimo sono e a chamei baixinho: “Cristina...acorda e veja isto!” Mas nada da minha irmã acordar. Tentei chamá-la mais umas vezes e nada...
A visão de ver o velhinho levantar vôo em seu trenó bem ali, a poucos metros de mim e ainda me olhar e acenar foi o máximo! Sim, meu caro leitor, o velho Noel acenou para mim, acredita? Mais que depressa pulei da cama e corri para a sala, onde ficava a árvore de natal e lá estavam todos os presentes! Não me contive, voltei para meu quarto e chamei minha irmã, mas desta vez eu a acordei e a chamei para ver os presentes lá na sala. Por fim meus pais também acordaram e se juntaram a nós. Contei-lhes o que eu acabara de ver e eles... acreditaram. Pai e mãe são o máximo!
Como eu havia prometido, vou lhes contar o quê eu fazia nos Estados Unidos aos 7 anos.
Meu pai estava estudando lá, tirando seu mestrado em administração. Foi uma época muito boa de minha vida, como várias outras.

Ana Maria Basso.
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