Crônica. Reflexções Obscuras.

Crônicas.


Reflexões Obscuras.

Faz tempo que ensaio o momento de sentar e escrever. São inúmeras as idéias, os pensamentos que passam pela minha cabeça, idéias estranhas, idéias desordenadas, enfim, idéias.
Idéias e pensamentos do tipo:
Para que estamos aqui?
Qual é o propósito de fazer o bem?
Os que são do mal, por quê?
Será mesmo que existe vida após a morte?
Desde que o mundo é mundo, existe a guerra entre o bem e o mal.
Às vezes o bem triunfa, mas muitas vezes o mal também vence. E daí?
Concepções de vidas são a grande variável da vida. Em uma cultura o mal pode ser o bem. E daí?
A morte faz parte da vida, porque, então, tanto medo dela? Todos, sem exceção morrem. Uns mais cedo, outros bem depois... Porque então nós não podemos decidir quando queremos morrer? Morreremos do mesmo jeito, não?
Quem disse que a morte é ruim?
Espíritos? Eu nunca vi um, você já?
Olho tudo ao meu redor e só dúvidas me afloram. Pessoas bonitas por fora, outras horríveis por dentro. Matanças, tiroteios, roubos, destruição... Que mundo é este em que vivemos onde só se vê o mal, a desgraça, a corrupção, o banditismo, e a vida continua seu rumo?
Então a vida é o mal? O bem, quando ouvimos falar dele, vem acompanhado de muita angústia, desconfiança, até mesmo dúvida, sim, porque ele é passageiro, notícias ruins são logo o próximo capítulo.... Será que estes sentimentos só estão acontecendo comigo?
Fé em Deus. Mas que Deus é esse que dá o livre arbítrio aos homens e a maior parte das vezes a escolha é pelo mal? Estamos vivendo outra Idade Média? A Era da Escuridão da alma?
Será que existe mesmo alma ou o homem perece quando morre de corpo e de todo o resto?
Para onde vamos quando estamos em coma, quando sofremos de doenças mentais?
Pessoas rezam o dia todo e não enxergam que de nada adianta rezar, tem-se, sim, que agir. Há freiras o suficiente no mundo para rezar por nós e pelos outros. Ser uma freira... Uma forma cômoda de se enclausurar e tapar os olhos para tudo.
A ignorância reina, o egoísmo impera, o individualismo governa nossas vidas, e tudo parece normal. O mundo já foi diferente algum dia?
Mas ouço que temos que observar as belezas da vida, como o sol que nasce todos os dias, como o botão de rosa que floresce, como a criança que nasce perfeita... Sim elas existem.
Mas O sol nasce e inunda o planeta de seca, calor escaldante, provocando o aquecimento global. O botão de rosa, mesmo antes de florescer é destruído por pragas ou cortado por mãos para embelezar qualquer ambiente fútil. A criança nasce perfeita e se transforma na criatura mais imperfeita que pode existir, cheia de medos, inseguranças, decepções, e muitas vezes se torna um monstro de brutalidade, violência e desumanidade. É o que temos visto com freqüência nos noticiários.
Qual é meu papel neste mundo que tento descrever aos meus olhos?
Que cada ser faça sua parte, tente sobreviver com conceitos que, podem ou não fazer a diferença?
Cabe a cada um escolher, de seu livre arbítrio seu papel nesta vida que deve ser a única. Morremos e perecemos de corpo e alma, é o que mais faz sentido. É uma idéia e uma constatação. Eu explico.
Morremos, somos enterrados e viramos pó. Todo o resto foi criado pelo homem, como espíritos, santos, o paraíso, uma luz brilhante... Tudo o que o homem cria visa a auto satisfação. Se dizem que existem espíritos, é para aliviar a dor de uma perda, e deixar pairar a esperança de que a outra pessoa está logo ali, num outro mundo, paralelo, e livros são vendidos, templos são erguidos para criar essa sensação de poder, de continuidade da vida após a morte. Como eu disse anteriormente, eu nunca vi um espírito, você já? A Igreja Católica é ainda mais hipócrita, pois prega algo e faz exatamente o contrário. Prega a bondade, convoca seus fieis à penitência e à pobreza nobre e se esbalda em luxo, mordomias e o diabo a quatro. Vai canonizar um brasileiro. Ironia. Não precisamos de santo, e sim de governantes dignos, honestos e comprometidos com o povo brasileiro.
O paraíso não existe, isto é óbvio, a não ser que seja cheio de mil ou duas mil virgens, como é mesmo que a cultura muçulmana vê o paraíso?
Luz brilhante no fim do túnel que vemos quando perecemos de corpo é nada mais nada menos que falta de oxigênio no cérebro, um aviso de que a alma também já vai perecer. A neurociência explica.
Pois bem, são reflexões um tanto obscuras, reconheço, mas é assim que, no momento, estou vendo nosso mundo.



Ana Maria Basso
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