Encontro Marcado.

1º Capítulo.

Na chagada a Fortaleza, eu dirigia o opala prata pra completar o rodízio de motoristas. Completara 19 anos há três meses, e já me sentia dona do espaço, dominava o carro com destreza, até que... A multa chegaria na casa do dono do veículo três meses depois.
Fortaleza dezembro de 1982, Praia do Futuro, Camping Grelha... lugares fascinantes.
Quando chegamos ao Camping, fiquei encantada com a beleza dos manguezais. Era limpo, rústico e muito organizado. Poucas barracas estavam armadas debaixo das árvores. Uma me chamou a atenção, vermelha e branca, estava armada próxima a uma camionete Ford branca com duas motos na carroceria. 
Chamei minha prima e apontei para o local. Será que dois motoqueiros gatos estão acampados aqui também?
Começamos a organizar o acampamento. Nosso teto pelos próximos 4 dias foi armado, um para minha prima e eu e outro para minha outra prima e o namorado. Viajávamos em quatro pessoas pelas capitais do nordeste brasileiro. Parávamos em campings e hotéis, dependendo do que melhor a cidade tinha a oferecer. 
Fortaleza era nosso extremo norte. De lá, começaríamos a descer de volta à capital do cerrado, nosso ponto de partida.
Enquanto armávamos tudo, o namorado de minha prima conseguiu um martelo emprestado para  bater as estacas com um dos ocupantes da barraca vermelha e branca. Era um rapaz louro e alto. Na hora de devolver o martelo, fui eu atrás do galego, mas encontrei foi um moreno de cabelos encaracolados com um sorriso maroto nos lábios que se disse muito encantado em me conhecer. Houve um rápido flerte, troca de sorrisos, um papo rápido sobre o lugar e um até breve.
Comentários sobre quem era o mais gato, o louro alto ou o moreno de cabelos encaracolados, foram feitos entre minha parenta e eu. O moreno, sem dúvidas...
Tudo montado, era hora de descansar. Enquanto estávamos dentro das barracas, ouvimos o barulho das motos deixando o camping. Era fim de tarde.
Nosso descanso foi breve. Saímos em seguida para conhecer a cidade e ir em busca de mantimentos para  nosso desjejum do dia seguinte. Passamos pela praia do Futuro já de noite e lá estavam eles, os dois motoqueiros do camping sentados em suas motos a observar o público passante. Depois no supermercado, um dos vários da cidade, lá estavam eles, de novo os motoqueiros do camping fazendo compras. Muita coincidência. Não há coincidências e sim destino. Eu já estava destinada desde que saí de da capital do cerrado, assim disse a cartomante. Houve cumprimentos com sorrisos e abanos de mãos. É claro que fiquei empolgada com um início de paquera entre o moreno e eu.
Jantamos em um bom restaurante e voltamos ao camping para uma boa noite de sono.
Com o clarear do dia, eu já estava acordada quando ouvi conversas do lado de fora de nossa barraca. Eram os motoqueiros conversando com o namorado da minha prima. O papo corria solto e animado. Olhei para o lado a procura de minha companheira de barraca, mas ela não estava. Aí sim ouvi sua voz também do lado de fora da barraca. Sentei no colchão, ajeitei os cabelos e saí para fora. Eles estavam reunidos do lado oposto ao zíper de saída, e em passos largos segui em direção ao banheiro sem olhar para traz.
Já pronta pra começar o meu dia, retornei à barraca e me juntei ao animado grupo que era só sorrisos. Pareciam amigos de tempos. De novo as devidas apresentações foram feitas. A dupla era do Paraná e estavam de férias pelo nordeste, como nós, mas já pelo segundo ano consecutivo. O papo animado se estendeu pelo café da manhã preparado no camping e por toda manhã em visita à Praia de Cumbuco, distante 35 km de Fortaleza. Fomos em carros separados e voltamos, minha prima e eu, com o loiro e o moreno no caro deles. Entrosamento total. O moreno despertava em mim um encanto gostoso, sua alegria, suas brincadeiras de menino me divertiam. O universo conspirando a meu favor, ou seria a nosso favor...





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